quinta-feira, 14 de junho de 2012

Mulheres, parto em casa e saúde baseada em evidências científicas

O dia 17 de maio de 2012 será um dia que vai entrar para a história do nosso País. Pela primeira vez, mulheres, homens, crianças, bebês, profissionais da saúde e representantes de ONGs vão se unir para bradar um só grito contra a repressão ao parto domiciliar. Na verdade, a melhor palavra seria extinção, pois é isso que está acontecendo com essa categoria de parto no Brasil.
Essa história não começou no domingo, com a veiculação da matéria no Fantástico sobre parto em casa. Ela é antiga, remonta ao tempo das cavernas quando o macho descobriu ter participação na concepção humana. Agora o tema ganhou um brilho especial e cada um dos jogadores está montando sua melhor estratégia para ser o vencedor.
De um lado, estão grandes entidades como CREMESP e CREMERJ, do outro profissionais do parto humanizado (médicos obstetras, enfermeiras obstetras, obstetrizes, parteiras tradicionais, doulas), ostracizados pelos demais colegas da área da saúde, e um grupo de mulheres "primitivas", pois assim são vistas pelos demais as mães que decidem parir em casa.
Essa parece ser uma briga que está apenas começando. A grande plateia é a mídia que já deu seus primeiros passos, anunciando aos quatro ventos a revolução que está por acontecer. Na verdade, venho há alguns anos sonhando com esse evento, desde quando soube da primeira marcha realizada por Janet Balaskas, no Reino Unido. Hoje, passados 30 anos, cada cidade britânica possui um centro de parto ativo.
No entanto, o Brasil reserva sua própria regra do jogo. Não basta uma passeata para mudar o atual paradigma de modelo de assistência ao parto. Essa pode e deve ser a pedra fundamental. É necessário porém um outro discurso, o da saúde baseada em evidências científicas. Por isso, dia 17 estarei na avenida Paulista, de corpo e alma, para defender não somente o meu direito sexual e reprodutivo, mas o de todas as mulheres. Estarei lá também com um pedido especial ao Ministério da Saúde: encomendar uma revisão sistemática sobre parto domiciliar e parto hospitalar ao Centro Cochrane do Brasil. Acredito que este será o verdadeiro xeque-mate contra uma cultura preconceituosa e danosa que desrespeita as boas práticas clínicas, os direitos das mulheres e a vida.

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